Mestrado em Biodiversidade (Campus II - Areia) tem primeira defesa de dissertação

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“Estruturação de comunidades de aves em uma paisagem urbanizada da Floresta Atlântica Nordestina.” Este é o título da dissertação de mestrado apresentada nesta segunda-feira (21) pela aluna Thayz Rodrigues Enedino – a primeira defesa do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade (PPGBio) da Universidade Federal da Paraíba, Campus II (Areia).  

 

Com orientação do professores Bráulio Almeida Santos e Alan LouresRibeiro, o trabalho da agora mestre Thayz Enedino demonstra que a perda de habitat decorrente da urbanização resulta na perda de espécies e no empobrecimento funcional dos fragmentos florestais, mas não necessariamente leva à convergência taxonômica das comunidades remanescentes. O estudo recomenda, ainda, que a gestão das áreas estudadas seja feita de maneira integrada para garantir a conservação da avifauna em escala regional.

 

A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade (PPGBio) considerou importante a concessão do título, o que ocorreu antes de o programa completar dois anos de atividade.

 

Resumo da dissertação

 

Atualmente a Mata Atlântica brasileira é considerada um dos maiores repositórios de biodiversidade do mundo, no entanto a fragmentação, perda de habitat, forte urbanização e outros tipos de perturbação humana têm degradado seu rico patrimônio biológico e alterado os processos ecológicos que garantem a sua persistência. Na Paraíba ainda restam alguns fragmentos de florestas que são protegidos por lei, mas pouco se sabe sobre o nível de alteração na estrutura das comunidades biológicas remanescentes, sobretudo das aves. Além de identificar as espécies ocorrentes em áreas protegidas do estado, o objetivo deste trabalho também foi testar a hipótese de que a urbanização reduz a riqueza de espécies das aves, levando à convergência taxonômica e ao empobrecimento funcional das comunidades, sobretudo em remanescentes florestais pequenos e isolados. O estudo foi realizado na região do estuário do rio Paraíba na porção setentrional da Floresta Atlântica, inserida no Centro de Endemismo Pernambuco. A amostragem de aves foi realizada através de listas de MacKinnon em nove áreas protegidas. Foram registradas 126 espécies de aves pertencentes a 41 famílias, sendo Thraupidae e Tyrannidae as famílias mais representativas. Dezenove espécies ocorreram nas nove áreas protegidas, sendo Pitangus sulphuratus (bem-te-vi) a mais frequente nas listas (52,9% das listas). Duas espécies exóticas foram registradas (Estrilda astrild e Passer domesticus). Cerca de 90% da variação observada na riqueza de espécies foram explicados apenas pelo tamanho do fragmento, indicando que a perda de habitat decorrente da urbanização é uma das principais causas da erosão biológica na região. A similaridade taxonômica entre as áreas variou de 36,5% a 71,4% (média de 52,6%), mas não se relacionou fortemente com a distância geográfica ou com a diferença no tamanho das áreas protegidas. Isto demonstra que áreas protegidas próximas ou com tamanhos similares possuem avifaunas distintas. Em termos funcionais, comunidades de fragmentos menores apresentaram proporcionalmente mais espécies sensíveis à perturbação, que forrageiam no ar e menos que forrageiam no sub-bosque. A proporção de espécies endêmicas ou ameaçadas não variou em função da área. Em conjunto, nossos resultados indicam que a perda de habitat decorrente da urbanização resulta na perda de espécies e no empobrecimento funcional dos fragmentos florestais, mas não necessariamente leva à convergência taxonômica das comunidades remanescentes. Recomenda-se que a gestão das áreas estudadas seja feita de maneira integrada para garantir a conservação da avifauna em escala regional.

Fonte: 
Agência de Notícias da UFPB - Com assessoria
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